IMPRENSA BRASILEIRA 200 ANOS

DOIS SÉCULOS DO SURGIMENTO DO CORREIO BRAZILIENSE - ASSOCIAÇÃO RIOGRANDENSE DE IMPRENSA - PORTO ALEGRE - RS - ari@ari.org.br - fone (51)3211-1555

IMPRENSA BRASILEIRA 200 ANOS

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Arquivo de: Abril 2008

27.04.08

A SEMANA COMEMORATIVA NO RS

A Assembléia Legislativa e a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) lançaram em 23 de abril a Semana Comemorativa aos 200 Anos da Imprensa brasileira, que acontece entre 1º e 7 de junho.
O presidente da ARI, Ercy Pereira Torma, revelou que o objetivo da Semana Comemorativa é chamar atenção para os 200 anos da imprensa brasileira, com o surgimento do nosso primeiro jornal, O Correio Brasiliense, por obra de Hipólito José da Costa, em Londres. O Dia da Imprensa no Brasil, a ser comemorado no dia 1º de junho, foi estabelecido pela Lei 9.831, de 1999.
Torma ressaltou que a imprensa precisa manter uma auto-crítica constante e, de forma responsável, compreender e atuar dentro dos limites colocados numa sociedade democrática. O presidente da ARI sublinhou que nos últimos anos a imprensa brasileira vem ocupando um papel de grande importância na sociedade brasileira, devido à sua maturidade.
Na semana de 1° a 7 de junho, a ARI promoverá uma série de eventos para debater as questões prementes da imprensa nacional. (Fonte: Assembléia Legislativa RS - www.al.rs.gov.br, foto Galileu Oldenburg)
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25.04.08

O CB SEGUNDO ISABEL LUSTOSA

Uma pedra no sapato dos portugueses

Foi esta a expressão que a pesquisadora Isabel Lustosa usou, no estudo que figura nos volumes da coleção completa do Correio Braziliense, publicado pela Imprensa Oficial de São Paulo, ao se referir ao jornal fundado por Hipólito da Costa.
Independente e livre de qualquer censura – prossegue a articulista -, o periódico editado em Londres comentava abertamente aspectos da política portuguesa relativa ao Brasil, contrariando seus interesses em reconduzir o país ao estado colonial.
Isabel Lustosa, para destacar o perfil do jornal, cita o próprio Hipólito, quando este expôs a principal bandeira que o seu veículo defendia: “A causa da liberdade nacional dos povos, daquela liberdade compatível com o estado da sociedade e de toda essa liberdade sem mais restrições do que as absolutamente necessárias; haja rei ou não haja rei; mas seguindo um sistema coerente”.
Dentro desta linha, Hipólito tornou-se mais explícito quando, ao tomar conhecimento das intenções do governo português, registrou, nas páginas do Correio, este alerta:
“Uma provocação a mais e os brasileiros darão seu último passo para a independência: é natural que quando lá chegar a notícia da forma de governo que as Cortes preparam para o Brasil pela Constituição que estão fazendo o caso chegue a essa extremidade, que será bem lamentável para Portugal.” (Pesquisa: Antônio Goulart, ARI)
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24.04.08

MAIS CAPÍTULOS DA LONGA TRAJETÓRIA

Reinos desunidos

A seção permanente denominada “Miscelânea”, da última edição do Correio Braziliense (dezembro de 1822), é aberta com “Reflexões sobre as novidades deste mês”, seguidas do título “Reinos desunidos do Brasil e Portugal”. Entre os principais inconvenientes da declaração de independência de 7 de setembro da ereção do Brasil em Império, segundo Hipólito, foi a dificuldade de o novo governo em ser reconhecido pelas potências estrangeiras.
Lembra o jornalista que todos os países da América, com exceção dos Estados Unidos, continuavam a ser considerados pelos europeus como “pequenas províncias em rebelião, e não dignas de serem tratadas como nações independentes”. Em resumo, os primeiros a reconhecerem a independência do Brasil foram, justamente, os Estados Unidos, seguidos da Inglaterra; Portugal só apareceu em terceiro lugar.


Direitos humanos: um precursor

Mais de um século antes de a ONU consagrar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, Hipólito José da Costa já aparecia, pelo menos na imprensa sul-americana, como um precursor nesta área. O registro se encontra na última edição do CB, onde ele fala em “princípios de liberdade nacional” e na “ignorância dos direitos inalienáveis dos homens”. Refere-se ao regime de escravatura então vigente, que considera como o maior obstáculo que pode ter o continente para promover sua indústria. “Como estas revoluções da América são agora fundadas nos princípios de liberdade, claro está que fica sendo incompatível com a existência desses governos a conservação da escravatura”, ressalta o jornalista.  (Pesquisa e edição: Antonio Goulart)
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Dia Nacional da Imprensa no Brasil

“O Dia Nacional da Imprensa no Brasil”, a partir de 13 de setembro de 1999, é comemorado em 1º de junho, data da primeira publicação do “Correio Braziliense” (1808), em uma justa homenagem ao seu fundador. A lei foi sancionada pelo Presidente da República Fernando Henrique Cardoso. Antes da sanção dessa lei, comemorávamos, desde Getúlio Vargas, o dia 10 de setembro, data do surgimento da “Gazeta do Rio de Janeiro”, após a chegada de D João VI e a corte portuguesa no Brasil, em 1808. A “Gazeta do Rio de Janeiro” era orgão oficial do “Governo Português” e proibia a livre expressão dos brasileiros, divulgando apenas notícias de interesse do Império Português. É incontestável que o caráter de nacionalidade e a preocupação com os problemas do Brasil, garantem ao “Correio Braziliense”, embora editado em Londres, devido a Censura Régia, a posição legítima de ser o primeiro jornal brasileiro impresso.
Após a luta de associações jornalísticas, intelectuais e profissionais da área liderados pela ARI (Associação Rio-Grandense de Imprensa), mudou-se a data, prevalecendo o argumento do caráter de nacionalidade do “Correio Braziliense”, mesmo sendo editado fora do Brasil.
Assis Chateaubriand, um dos maiores nomes da Comunicação no Brasil, considerava Hipólito José da Costa, um grande exemplo de vida. Em homenagem ao Patrono da Imprensa no Brasil, reeditou, em Brasília, em 21/04/1960, data inaugural da nova capital, o jornal “Correio Braziliense”, mantendo a grafia com “Z” como na época em que foi fundado, em Londres, na Inglaterra. Assis Chateaubriand defendia os princípios de liberdade de expressão de seu fundador.
Hipólito José da Costa já havia proposto a mudança da capital para o interior do Brasil através do seu jornal. Essa idéia, surgida no século XIX, transformou-se em realidade, em abril de 1960, através do símbolo de modernidade que representa Brasília. A admiração de Chateaubriand era tão intensa, que, em 1942, prestou-lhe uma homenagem, batizando um avião, em São Paulo, com o nome do “Patrono da Imprensa no Brasil”.
Hipólito José da Costa, através do “CORREIO BRAZILIENSE”, pregou a abolição gradual dos escravos e a implantação de mão de obra imigrante qualificada em um período que era intenso o comércio de escravos, considerados mercadoria. O lucro financeiro, que esta atividade propiciava aos países interessados, neste mercado, era grande. Hipólito Considerava a escravidão um ato desumano e bárbaro. Este posicionamento do “Patrono da Imprensa” encontra-se registrado, no “Correio Braziliense”, anos antes da abolição dos escravos ser efetivada, no Brasil, pela mão da Princesa Isabel, através da Lei Áurea de 13/05/1888.
Nossa primeira Constituição foi outorgada em 1824. Hipólito José da Costa chegou a escrever um anteprojeto para elaboração da nossa primeira “Carta Magna”, que não foi aprovado pelo Imperador do Brasil, D. Pedro I, que era adepto das idéias absolutistas. O imperador dissolveu nossa primeira Assembléia Constituinte e centralizou o poder.
Hipólito da Costa e suas idéias de vanguarda, difundidas nos artigos do “Correio Braziliense”, são exemplos da capacidade de discernimento e compreensão que tinha da realidade brasileira. Com sua inteligência e bagagem cultural, percebia o nível de atraso que se encontravam vários setores da sociedade brasileira, devido à péssima administração pública, corrupção e governantes da época.
Em 2001, a Fundação Assis chateaubriand promoveu o translado dos restos mortais de Hipólito José da Costa da Inglaterra para o Museu Nacional da Imprensa, em Brasília. Esta luta durou décadas, para que, finalmente, seus restos mortais fossem transladados para o Brasil.
Hipólito registrou, em seu jornal, o desejo que nutria de retornar para o Brasil e passar o resto de seus dias na região, que viveu sua infância, hoje município de Pelotas. Fato que em vida não conseguiu concretizar, pois acabou falecendo em 11/09/1823, em Londres.
Sua vida foi biografada por ilustres personalidades, como: Adolfo de Varnhagen, Barão Homem de Mello, Carlos Rizzini, Mecenas Dourado, Barbosa Lima Sobrinho, Riopardense de Macedo, Cláudio Moreira Bento, Raul Quevedo, entre outras figuras de destaque. Hipólito José da Costa é homenageado pela Academia Brasileira de Letras, como Patrono da cadeira nº 17.
O trecho abaixo, extraído do seu “Correio Braziliense”, deixa claro a forma como Hipólito José da Costa percebia a importância da sua missão como jornalista.
“Ninguém mais útil que o jornalista, aquele que se propõe mostrar, com evidência, os acontecimentos do presente e aclarar as sombras do futuro”. (Hipólito José da costa, “Correio Braziliense”, Londres, Junho de 1808.)

Texto: Carlos Roberto S. da Costa Leite
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17.04.08

UM POUCO MAIS DE HISTÓRIA - CORREIO - II

*Correio Braziliense

Devido à censura Régia no Brasil, Hipólito José da Costa lançou, em Londres, no dia 1º de junho de 1808, o Correio Braziliense ou Armazém Literário, cujo conteúdo despertou o ódio e o revanchismo dos políticos corruptos e do clero retrógado (Inquisição). O mensário era impresso em português e teve sua circulação proibida, sendo vendido clandestinamente no Brasil e em Portugal. Iniciou, sua circulação, sendo impresso na oficina tipográfica do Sr. W. Lewis, na rua Paternoster – Row. A partir de 1816, passou a ser impresso nas oficinas de L.. Thompson também em Londres. A denominação de Armazém Literário era devido à variedade de temas que apresentava em suas páginas.
Hipólito José da Costa, através do seu periódico, apontou os erros da administração portuguesa no Brasil, lutou pela liberdade de expressão, combateu a nobreza parasitária e a escravidão. Os ideais liberais foram a força motriz do seu jornal e prepararam a geração politicamente responsável pela concretização da nossa independência em setembro de 1822.
As edições variavam de 80 a 140 páginas, sendo que o número de agosto de 1812 circulou com 236 páginas. O mensário circulou, de junho de 1808 a dezembro de 1822, somando 175 edições agrupadas em 29 volumes. O Correio Braziliense possuía as seguintes seções: Política, Comércio e Artes, Literatura e Ciências, e Miscelânea que abrangia Reflexões sobre as novidades do mês e Correspondência. Nas reflexões eram debatidos assuntos relativos ao Brasil. O exemplar avulso no Rio de Janeiro custava a importância de 1.280 réis.
O Correio Braziliense encerrou sua circulação em dezembro de 1822, quando seu editor concluiu que sua missão doutrinária havia terminado. Na edição de número 173, Hipólito José da Costa, anuncia e comenta a Independência do Brasil, acreditando que ocorrera, no dia 03 de junho de 1822, data da convocação da Assembléia Constituinte do Brasil. O Periódico circulou durante 14 anos e meio, mantendo-se sempre fiel aos objetivos para os quais foi criado: lutar pela liberdade de pensamento e combater o despotismo dos poderosos.
(Pesquisa e redação: Carlos Roberto S. da Costa Leite )
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