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* Gazeta do Rio de Janeiro 
Com a vinda da Corte Portuguesa para o Brasil, em 1808, o Príncipe Regente D. João após a abertura dos Portos às Nações Amigas decretou, entre outras medidas, em 13 de maio de 1808, dia do seu aniversário, a criação da Imprensa Régia e nomeou uma junta. Sua função era dirigir a tipografia, examinar os papéis e livros que mandassem publicar, e fiscalizar para que os impressos não fossem de encontro à política lusitana e aos bons princípios morais e religiosos da Igreja.
Instalada a primeira tipografia legal no Brasil, começou a circular, em 10 de setembro de 1808,o primeiro jornal impresso no território brasileiro: a Gazeta do Rio de Janeiro. O periódico era órgão oficial do governo português e bissemanário.
A Nau Meduza era uma das embarcações, que atravessaram o Oceano Atlântico, quando ocorreu a transferência da Corte para a Colônia (1808), fugindo das tropas de Napoleão Bonaparte. A nau trouxe os primeiros prelos (máquinas de impressão) e 28 caixas de tipos para dar início a toda esta história.
Hipólito José da Costa elogiou o surgimento da imprensa no Brasil, porém, percebendo a forma como a Gazeta do Rio de Janeiro tratava de determinados temas, acabou criticando ferozmente esse periódico no seu Correio Braziliense (1808 -1822) : (...) “ tão boa quantidade de papel em imprimir tão ruim material,que melhor se empregaria se fosse usado para embrulhar manteiga”.
A direção da Gazeta do Rio de Janeiro estava confiada aos oficiais da Secretaria dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, e sua redação era responsabilidade do Frei Tibúrcio José da Rocha. Em 29 de dezembro de 1821, passou a chamar-se Gazeta do Rio. O periódico cessou sua circulação após nossa independência, em 1822. Voltou a circular, em 1823, com a denominação de Diário do Governo. Assim, inaugurou-se a Imprensa áulica no Brasil. (Pesquisa e redação: Carlos Roberto S. da Costa Leite )
Variedade de temas:
Barbosa Lima Sobrinho deixou este registro: “O que mais nos surpreende no Correio Braziliense é a extrema variedade de temas que o compõem e a extensão de cultura que nele revela Hipólito da Costa. Conhece e discute tudo, desde a questão do tráfico e da escravidão, até a idéia da mudança da capital do Brasil. Mesmo em paralelo com os periódicos que surgem no Brasil, é o melhor informado de todos eles, o que melhor conhece e discute os problemas brasileiros”. (Pesquisa: Antonio Goulart)
No dia 1º de junho de 1996, a Associação Riograndense de Imprensa (ARI), o Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa e a Loja Maçônica Província de São Pedro lançaram O Manifesto à Nação, propondo o 1º de junho, dia do lançamento do Correio Braziliense (1808), em Londres, como legítima data comemorativa do Dia Nacional da Imprensa. Seu editor, Hipólito José da Costa, preconizou pela liberdade de expressão e difundiu os ideais liberais que foram propulsores da nossa independência, em 1822. 
O Manifesto à Nação foi uma reunião histórica de personalidades da imprensa, que ocorreu na sede do Museu de Comunicação Social HJC, em Porto Alegre, propugnando pela mudança das comemorações do dia 10 de setembro, data do surgimento da Gazeta do Rio do Janeiro (1808), para o dia 1º de junho.
A Gazeta do Rio de Janeiro criada, em 10/09/1808, pelo governo português (Imprensa Régia), representava o poder absolutista e despótico no Brasil Colônia.
A maioria dos profissionais da imprensa não concordava com as comemorações do Dia Nacional da Imprensa, instituído desde Getúlio Vargas, para homenagear esse periódico oficial da Corte portuguesa; um jornal que era o arauto dos interesses lusitanos no Brasil.
O documento oficial, dessa manifestação em prol do Dia 1º junho, foi lido pelo então Presidente da ARI, professor Antonio Gonzalez.
Alguns trechos
“Por justiça à história e responsabilidade ante os fatos comprovados, o Rio Grande do Sul, desde 1972, defende a modificação de datas, transferindo-se os atos para o 1º de junho”.
“A idéia inicialmente defendida pela Associação Riograndense de Imprensa (ARI) hoje tem reconhecimento de toda a Comunidade Social, eis que a moção apresentada por Raul Quevedo, representante da entidade, mereceu aprovação unânime do 27º congresso Nacional de jornalistas, realizado em Porto Alegre – RS, no início de maio de 1996. Há consenso, a solução é óbvia e evidente: 1º de junho é o Dia da Imprensa, para todos que lutam pela verdade e pela livre expressão do pensamento”.
Porto Alegre, RS, 1º de junho de 1996
Alberto André, Presidente do Conselho Deliberativo da ARI.
Antonio Gonzalez, Presidente Executivo da ARI.
Mário Marques Henrique Filho, Loja Maçônica Província de São Pedro -
Raul Quevedo, Membro Conselheiro da ARI.
Teniza Spinelli, Diretora do Museu de Comunicação Social HJC
Paulo Xavier, Instituto Estadual do Livro
(Pesquisa: Carlos Roberto S. da Costa Leite)
O Correio Braziliense, feito e impresso em Londres, circulou clandestinamente no Brasil durante 14 anos, de 1808 a 1822. Foram 175 edições, em formato e um livro padrão, alguns volumes com mais de uma centena de páginas. Foi o primeiro jornal brasileiro independente. Tinha como objetivo declarado lutar pela emancipação das colônias americanas.