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(...)O projeto tramitou sem dificuldades e teve desde o início o apoio da Fenaj e da ANJ. A Fenaj seduziu-se com a tese de derrubar o jornal “oficialista” para entronar o jornal “independente”. A ANJ, por sua vez, agiu de má fé. Encampou a tese por conveniência de seu Presidente Paulo Cabral, Diretor do Correio Braziliense dos Diários Associados. É claro que a mudança de referência histórica promovia indiretamente o seu jornal, valorizava a marca. E assim, sem nenhum contraponto no caminho, FHC sancionou o Decreto Lei número 9831 de 13/09/99, instituindo a nova data. A verdade é que ninguém discutiu em profundidade o significado da mudança, prevaleceu uma suposta atitude “politicamente correta” de suposta “vanguarda”. Ninguém se deu ao trabalho de refletir algumas questões:
1. Era o Correio Braziliense de fato um jornal independente ? Sabe-se que o seu patrão era a Maçonaria e que os recursos para sua sobrevivência vinham dos bastidores do próprio Governo de Dom João VI. Na prática o Correio foi uma alternativa à Gazeta, ambas as linhas editoriais do interesse do Príncipe Regente.
2. Era o Correio Brazliliense um jornal? Circulava com 140 páginas em média e sua periodicidade era mensal. Diferente da Gazeta que circulava duas vezes por semana e numa segunda etapa diariamente, como a maioria dos jornais do mundo, naquele tempo. O formato do Correio era mais próximo do livro que do jornal.
3. O conteúdo do Correio Brasiliense era apenas opinativo, basicamente um artigo de fundo, destrinchado em tópicos. Já o da Gazeta incluía noticias e também anúncios. Tinha mesmo a cara de jornal.
4. O suposto “suborno” recebido por Hipólito da Costa, documentado nos arquivos do Itamaraty (O recebimento de dinheiro via o Governo do Maranhão para despistar) não seria um assunto a ser ponderado, tal como foi o “oficialismo” da Gazeta ?
Em fim, como se vê, trocamos seis por meia dúzia. Se era para valorizar o jornalismo investigativo, livre e independente, a data de referência da Imprensa deveria ser o da morte de Líbero Badaró, por exemplo. Nossa referência poderia ser também a data da surra de Luis Augusto May ou do empastelamento do Diário Constitucional de Francisco Gomes Brandão na Bahia. Ou, quem sabe, datas referenciadas a Frei Caneca, Evaristo da Veiga ou João Soares Lisboa, dentre outros. Todos exemplos de um jornalismo independente, combativo, símbolos do que se espera da verdadeira imprensa. Infelizmente nada pode ser feito para se reverter a situação, apenas o registro e o desabafo para não deixar passar batido.
(http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/blog)

A Associação Riograndense de Imprensa está ultimando os preparativos para a Semana da Imprensa que será aberta no dia 1º. de junho próximo. A data coincide com a comemoração dos 200 anos de fundação do Correio Braziliense, em Londres, por Hipólito José da Costa, em 1808. Este periódico, que circulou de forma clandestina no Brasil durante 14 anos, é tido como o primeiro jornal autenticamente brasileiro. Por isso, o ano de 2008 assinala também o bicentenário da imprensa em nosso país. Dia da Imprensa: De como trocaram seis por meia dúzia
Durante seis décadas o Brasil comemorou na data de hoje o Dia da Imprensa, tradição interrompida em 1999 quando o Governo Fernando Henrique Cardoso sancionou Projeto de Lei oportunista e despropositado do Deputado Nelson Marchezan Filho do PSDB gaúcho. Desde então o Dia da Imprensa é comemorado em 1º de junho. A mudança de data decorreu de uma sucessão de equívocos, omissão e má fé das entidades de classe representativas e uma atitude do Congresso no sentido de apostar numa tese “politicamente correta” , as aparências assim o sugeriam. O Dia da Imprensa tinha como referência 10 de setembro, data em que circulara pela primeira vez a “Gazeta do Rio de Janeiro”, primeiro jornal editado no país. Assim foi durante 60 anos. Mas, em 1997 o jornalista Alberto Dines, no seu programa de TV “Observatório da Imprensa” questionou a legitimidade da data, achava mais apropriado 1º de junho, dia em que circulou originalmente o “Correio Braziliense”, periódico editado em Londres por Hipólito da Costa. Foi a senha para que o deputado Nelson Marchezan Filho encampasse uma campanha nesse sentido. A alegação básica para a mudança da data é que A Gazeta era um jornal oficial, com censura prévia, redigido por Frei Tibúrcio (funcionário público), enquanto o Correio Braziliense era um jornal independente, redigido por Hipólito da Costa, um “herói” brasileiro. (...) segue adiante... (http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/blog)