IMPRENSA BRASILEIRA 200 ANOS

DOIS SÉCULOS DO SURGIMENTO DO CORREIO BRAZILIENSE - ASSOCIAÇÃO RIOGRANDENSE DE IMPRENSA - PORTO ALEGRE - RS - ari@ari.org.br - fone (51)3211-1555

IMPRENSA BRASILEIRA 200 ANOS

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Terra Blog

23.05.08

Por que o Brasil demorou tanto para ter imprensa?

Considerando que a primeira impressão de um livro (a Bíblia Sagrada), feita por Gutemberg, ocorreu por volta de 1456, a pergunta que se faz ainda hoje é a seguinte: Por que a imprensa só veio para o Brasil três séculos e meio depois? Em 1808. O fato se torna mais estranho ainda quando se sabe que quase uma dezena de capitais latino-americanas entraram na era da imprensa bem antes que o Brasil. A Cidade do México, por exemplo, foi em 1535; depois, vieram Lima (1583), Bogotá (1739), Santiago (1748), Quito (1760), Buenos Aires (1766) e Montevidéu (1807), um ano antes que nós. E nos Estados Unidos, a imprensa chegou em 1640.
Segundo o jornalista Alberto Dines, um dos fatores que contribuiu para esse atraso teria sido o papel da Inquisição. Naquela época era preciso um licenciamento especial do Santo Ofício da Igreja Católica. E esse órgão operava aqui através de comissários que passavam informações à Coroa portuguesa e obedeciam as ordens de Lisboa.
Enquanto isso, a Coroa espanhola criou no Novo Mundo vários tribunais, descentralizando a fiscalização, o que contribuiu, entre outras coisas, para que suas colônias pudessem fundar tipografias muitos antes que o Brasil.
Alguns pesquisadores apontam que a tipografia em solo brasileiro poderia ter sido antecipada em 60 anos. Em 1749, Antônio Isidoro da Fonseca, um dos mais importantes tipógrafos portugueses, tentou estabelecer uma tipografia no Rio de Janeiro e até publicou alguns folhetos, mas foi surpreendido com uma intimação que o obrigou a fechar a gráfica, porque contrariava as ordens de Lisboa. ”. (continua...) (Pesquisa e redação de Antônio Goulart/ARI)
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Breve histórico sobre as origens da Imprensa - I

A pré-história do jornalismo está ligada à necessidade do homem comunicar-se, através de sinais gravados em argila, madeira ou pedra, que registraram acontecimentos e fatos do cotidiano, marcando até a atualidade as primeiras luzes da comunicação escrita. Esta imprensa embrionária atravessou os séculos, desde os pequenos povos até os grandes impérios. Estudiosos informam de que, no Egito, ano de 1750 a.C., no reinado de Thoutmé II, existiu um jornal oficial e que ao tempo do faraó Amarsis, já existiam jornais satíricos que criticavam a administração.
Na China, por volta do século II a.C., os chineses desenvolveram a arte de fabricar papel feito de trapos, mais barato em relação à utilização do papiro ou pergaminho. Essa descoberta foi um importante avanço na trajetória da Comunicação. Essa técnica de fabricar papel chegou ao Ocidente por intermédio dos Árabes, que instalaram uma fábrica na Espanha, em Játiva, no período da dominação Árabe. Começou a circular, em Pequim, um jornal chamado o “kinf-Pao” (notícias da corte) séc. IX, considerado, por muitos, o mais antigo.
Na Roma antiga, o jornal tinha importante papel, pois os romanos tinham uma espécie de informativos, ou de registro, chamados de “Acta Diurna”, que circulavam de maneira regular e, por meio de um incipiente serviço postal, levavam notícias até os extremos do império. (continua...)(Pesquisa e redação: Carlos Roberto S. da Costa Leite)
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19.05.08

O DEBATE SOBRE O DIA DA IMPRENSA II

(...)O projeto tramitou sem dificuldades e teve desde o início o apoio da Fenaj e da ANJ. A Fenaj seduziu-se com a tese de derrubar o jornal “oficialista” para entronar o jornal “independente”. A ANJ, por sua vez, agiu de má fé. Encampou a tese por conveniência de seu Presidente Paulo Cabral, Diretor do Correio Braziliense dos Diários Associados. É claro que a mudança de referência histórica promovia indiretamente o seu jornal, valorizava a marca. E assim, sem nenhum contraponto no caminho, FHC sancionou o Decreto Lei número 9831 de 13/09/99, instituindo a nova data. A verdade é que ninguém discutiu em profundidade o significado da mudança, prevaleceu uma suposta atitude “politicamente correta” de suposta “vanguarda”. Ninguém se deu ao trabalho de refletir algumas questões:
1. Era o Correio Braziliense de fato um jornal independente ? Sabe-se que o seu patrão era a Maçonaria e que os recursos para sua sobrevivência vinham dos bastidores do próprio Governo de Dom João VI. Na prática o Correio foi uma alternativa à Gazeta, ambas as linhas editoriais do interesse do Príncipe Regente.
2. Era o Correio Brazliliense um jornal? Circulava com 140 páginas em média e sua periodicidade era mensal. Diferente da Gazeta que circulava duas vezes por semana e numa segunda etapa diariamente, como a maioria dos jornais do mundo, naquele tempo. O formato do Correio era mais próximo do livro que do jornal.
3. O conteúdo do Correio Brasiliense era apenas opinativo, basicamente um artigo de fundo, destrinchado em tópicos. Já o da Gazeta incluía noticias e também anúncios. Tinha mesmo a cara de jornal.
4. O suposto “suborno” recebido por Hipólito da Costa, documentado nos arquivos do Itamaraty (O recebimento de dinheiro via o Governo do Maranhão para despistar) não seria um assunto a ser ponderado, tal como foi o “oficialismo” da Gazeta ?
Em fim, como se vê, trocamos seis por meia dúzia. Se era para valorizar o jornalismo investigativo, livre e independente, a data de referência da Imprensa deveria ser o da morte de Líbero Badaró, por exemplo. Nossa referência poderia ser também a data da surra de Luis Augusto May ou do empastelamento do Diário Constitucional de Francisco Gomes Brandão na Bahia. Ou, quem sabe, datas referenciadas a Frei Caneca, Evaristo da Veiga ou João Soares Lisboa, dentre outros. Todos exemplos de um jornalismo independente, combativo, símbolos do que se espera da verdadeira imprensa. Infelizmente nada pode ser feito para se reverter a situação, apenas o registro e o desabafo para não deixar passar batido.
(http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/blog)

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  • Postado em 21:45:55

HIPÓLITO - LINHA DO TEMPO III

1808 - A Corte Portuguesa transferiu-se para o Brasil, devido à invasão de Portugal pelo comandante Junot sob as ordens de Napoleão Bonaparte. Com a chegada da Corte no Rio de Janeiro, o Príncipe Regente D João, entre outras medidas, criou a Imprensa Régia. Em 10 de setembro de 1808, começou a circular o periódico oficial do governo português: a Gazeta do Rio de Janeiro. Em Londres, Hipólito José da Costa é admitido à Loja Maçônica Antiquity.

Em 1º de junho, Hipólito José da Costa exilado na Inglaterra, publicou o primeiro número do Correio Braziliense ou Armazém Literário (1808 – 1822). O periódico era noticioso, político e independente. Circulou clandestino no Brasil e em Portugal, devido à Censura Régia. No Brasil, o jornal divulgou os ideais liberais que nortearam o pensamento político da elite local que realizou nossa independência em 1822. O 1º de junho, data que circulou o primeiro número do Correio Braziliense, é considerado o Dia da Imprensa no Brasil.

1811 – Publicou o livro Narrativa da Perseguição Prisão pelo Santo Ofício. Nessa obra, ele registrou sua prisão e os sofrimentos aos quais foi submetido no cárcere da Inquisição. O livro é considerado um tratado em defesa da Maçonaria.
Portugal iniciou a publicação do Investigador Português (1811 – 1819), em Londres, para combater o conteúdo do Correio Braziliense, considerado infame e subversivo. A criação desse periódico foi idéia do Conde de Funchal, inimigo implacável de Hipólito José da Costa.

1817 – Casou-se aos 43 anos com Mary Ann Troughton, sendo seu padrinho o Conde de Sussex, filho do Rei George III. Dessa união nasceram 03 filhos: Augusta Carolina, Anne Shirley, Augustus Frederick.

1822 - Ano da Independência do Brasil. Hipólito José da Costa foi encarregado por D. Pedro para auxiliar nas negociações diplomáticas para o reconhecimento do governo inglês da nossa independência. Em dezembro, suspendeu a circulação do seu Correio Braziliense, dando como encerrada a missão doutrinária do jornal. O Brasil era, finalmente, uma Nação livre.

1823 - Nomeado Cônsul Geral do Brasil em Londres, não chegou a tomar posse. O Patrono da Imprensa no Brasil faleceu aos 49 anos, devido a uma infecção intestinal, no dia 11 de setembro. Foi sepultado na Igreja de Santa Maria Virgem, na paróquia de Hurley, em Berkshire, na Inglaterra.

1897 - Ano da fundação da Academia Brasileira de Letras (ABL). Hipólito José da Costa é Patrono da cadeira nº 17.

1942 - Em 30 de abril de 1942, em S. Paulo, Assis Chateaubriand batizou um avião com o nome de Hipólito José da Costa.

1955 - O diplomata brasileiro em Londres, Gastão Nothman, que mantinha correspondência no Brasil com Carlos Rizzini, destacado jornalista e biográfo de Hipólito José da Costa, localizou o túmulo do Patrono da Imprensa brasileira. Rizzini publicou, em 29 de outubro de 1955, na Revista O Cruzeiro, um artigo inédito sobre a descoberta.
(Pesquisa: Carlos Roberto da Costa Leite)
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  • Postado em 21:37:58

16.05.08

A SEMANA DA IMPRENSA TROCADA EM MIÚDOS

A Associação Riograndense de Imprensa está ultimando os preparativos para a Semana da Imprensa que será aberta no dia 1º. de junho próximo. A data coincide com a comemoração dos 200 anos de fundação do Correio Braziliense, em Londres, por Hipólito José da Costa, em 1808. Este periódico, que circulou de forma clandestina no Brasil durante 14 anos, é tido como o primeiro jornal autenticamente brasileiro. Por isso, o ano de 2008 assinala também o bicentenário da imprensa em nosso país.
Como ponto alto da programação da ARI consta a realização de um fórum de debates denominado “AS PERGUNTAS QUE NÃO CALAM – Tendências e perspectivas da imprensa brasileira”. A promoção conta com o apoio da Assembléia Legislativa, do Sindicato dos Jornalistas, Portal Coletiva, Agert, ARP e Prefeitura Municipal. Já confirmaram presença especialistas como Alberto Dines e José Marques de Melo, entre outros.
Está prevista também para a mesma semana a abertura de uma exposição sobre a história da imprensa, particularmente do Rio Grande do Sul, organizada pelo Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, além de outros eventos.
A abertura solene do fórum será às 19 horas do dia 5 de junho, no auditório Dante Barone, da AL. No dia seguinte, pela manhã e à tarde, acontecerão os debates, incluindo painéis como:
“A convergência entre o jornalismo impresso e o digital e a produção de conteúdo para web – Um novo campo de trabalho que se abre?”
“O fim da Lei de Imprensa é o fim do dano moral?”
“Agenda positiva – Sobre o que convergem profissionais, empresas de comunicação, anunciantes e poder público?”
No dia 7 (sábado), na sede da ARI, haverá uma palestra, às 10 horas, seguida do coquetel de encerramento. (Texto: Antonio Goulart, ARI)
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  • Postado em 21:53:07