IMPRENSA BRASILEIRA 200 ANOS

DOIS SÉCULOS DO SURGIMENTO DO CORREIO BRAZILIENSE - ASSOCIAÇÃO RIOGRANDENSE DE IMPRENSA - PORTO ALEGRE - RS - ari@ari.org.br - fone (51)3211-1555

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Terra Blog

24.04.08

Dia Nacional da Imprensa no Brasil

“O Dia Nacional da Imprensa no Brasil”, a partir de 13 de setembro de 1999, é comemorado em 1º de junho, data da primeira publicação do “Correio Braziliense” (1808), em uma justa homenagem ao seu fundador. A lei foi sancionada pelo Presidente da República Fernando Henrique Cardoso. Antes da sanção dessa lei, comemorávamos, desde Getúlio Vargas, o dia 10 de setembro, data do surgimento da “Gazeta do Rio de Janeiro”, após a chegada de D João VI e a corte portuguesa no Brasil, em 1808. A “Gazeta do Rio de Janeiro” era orgão oficial do “Governo Português” e proibia a livre expressão dos brasileiros, divulgando apenas notícias de interesse do Império Português. É incontestável que o caráter de nacionalidade e a preocupação com os problemas do Brasil, garantem ao “Correio Braziliense”, embora editado em Londres, devido a Censura Régia, a posição legítima de ser o primeiro jornal brasileiro impresso.
Após a luta de associações jornalísticas, intelectuais e profissionais da área liderados pela ARI (Associação Rio-Grandense de Imprensa), mudou-se a data, prevalecendo o argumento do caráter de nacionalidade do “Correio Braziliense”, mesmo sendo editado fora do Brasil.
Assis Chateaubriand, um dos maiores nomes da Comunicação no Brasil, considerava Hipólito José da Costa, um grande exemplo de vida. Em homenagem ao Patrono da Imprensa no Brasil, reeditou, em Brasília, em 21/04/1960, data inaugural da nova capital, o jornal “Correio Braziliense”, mantendo a grafia com “Z” como na época em que foi fundado, em Londres, na Inglaterra. Assis Chateaubriand defendia os princípios de liberdade de expressão de seu fundador.
Hipólito José da Costa já havia proposto a mudança da capital para o interior do Brasil através do seu jornal. Essa idéia, surgida no século XIX, transformou-se em realidade, em abril de 1960, através do símbolo de modernidade que representa Brasília. A admiração de Chateaubriand era tão intensa, que, em 1942, prestou-lhe uma homenagem, batizando um avião, em São Paulo, com o nome do “Patrono da Imprensa no Brasil”.
Hipólito José da Costa, através do “CORREIO BRAZILIENSE”, pregou a abolição gradual dos escravos e a implantação de mão de obra imigrante qualificada em um período que era intenso o comércio de escravos, considerados mercadoria. O lucro financeiro, que esta atividade propiciava aos países interessados, neste mercado, era grande. Hipólito Considerava a escravidão um ato desumano e bárbaro. Este posicionamento do “Patrono da Imprensa” encontra-se registrado, no “Correio Braziliense”, anos antes da abolição dos escravos ser efetivada, no Brasil, pela mão da Princesa Isabel, através da Lei Áurea de 13/05/1888.
Nossa primeira Constituição foi outorgada em 1824. Hipólito José da Costa chegou a escrever um anteprojeto para elaboração da nossa primeira “Carta Magna”, que não foi aprovado pelo Imperador do Brasil, D. Pedro I, que era adepto das idéias absolutistas. O imperador dissolveu nossa primeira Assembléia Constituinte e centralizou o poder.
Hipólito da Costa e suas idéias de vanguarda, difundidas nos artigos do “Correio Braziliense”, são exemplos da capacidade de discernimento e compreensão que tinha da realidade brasileira. Com sua inteligência e bagagem cultural, percebia o nível de atraso que se encontravam vários setores da sociedade brasileira, devido à péssima administração pública, corrupção e governantes da época.
Em 2001, a Fundação Assis chateaubriand promoveu o translado dos restos mortais de Hipólito José da Costa da Inglaterra para o Museu Nacional da Imprensa, em Brasília. Esta luta durou décadas, para que, finalmente, seus restos mortais fossem transladados para o Brasil.
Hipólito registrou, em seu jornal, o desejo que nutria de retornar para o Brasil e passar o resto de seus dias na região, que viveu sua infância, hoje município de Pelotas. Fato que em vida não conseguiu concretizar, pois acabou falecendo em 11/09/1823, em Londres.
Sua vida foi biografada por ilustres personalidades, como: Adolfo de Varnhagen, Barão Homem de Mello, Carlos Rizzini, Mecenas Dourado, Barbosa Lima Sobrinho, Riopardense de Macedo, Cláudio Moreira Bento, Raul Quevedo, entre outras figuras de destaque. Hipólito José da Costa é homenageado pela Academia Brasileira de Letras, como Patrono da cadeira nº 17.
O trecho abaixo, extraído do seu “Correio Braziliense”, deixa claro a forma como Hipólito José da Costa percebia a importância da sua missão como jornalista.
“Ninguém mais útil que o jornalista, aquele que se propõe mostrar, com evidência, os acontecimentos do presente e aclarar as sombras do futuro”. (Hipólito José da costa, “Correio Braziliense”, Londres, Junho de 1808.)

Texto: Carlos Roberto S. da Costa Leite
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  • Postado em 11:06:06
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