A seção permanente denominada “Miscelânea”, da última edição do Correio Braziliense (dezembro de 1822), é aberta com “Reflexões sobre as novidades deste mês”, seguidas do título “Reinos desunidos do Brasil e Portugal”. Entre os principais inconvenientes da declaração de independência de 7 de setembro da ereção do Brasil em Império, segundo Hipólito, foi a dificuldade de o novo governo em ser reconhecido pelas potências estrangeiras. Lembra o jornalista que todos os países da América, com exceção dos Estados Unidos, continuavam a ser considerados pelos europeus como “pequenas províncias em rebelião, e não dignas de serem tratadas como nações independentes”. Em resumo, os primeiros a reconhecerem a independência do Brasil foram, justamente, os Estados Unidos, seguidos da Inglaterra; Portugal só apareceu em terceiro lugar.
Direitos humanos: um precursor
Mais de um século antes de a ONU consagrar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, Hipólito José da Costa já aparecia, pelo menos na imprensa sul-americana, como um precursor nesta área. O registro se encontra na última edição do CB, onde ele fala em “princípios de liberdade nacional” e na “ignorância dos direitos inalienáveis dos homens”. Refere-se ao regime de escravatura então vigente, que considera como o maior obstáculo que pode ter o continente para promover sua indústria. “Como estas revoluções da América são agora fundadas nos princípios de liberdade, claro está que fica sendo incompatível com a existência desses governos a conservação da escravatura”, ressalta o jornalista. (Pesquisa e edição: Antonio Goulart)